terça-feira, 1 de março de 2011

Ibéria Rocks

Corria o ano e 1988 e eu já me mandava para fora de pé, nos meus quase 14 anos. Tinha descoberto o ano passado as maravilhas do inesperado Metal, depois da iniciação com Maiden, Dio, Ozzy, Metallica, Whitesnake, Slayer. Agitavam os meus sentidos agora bandas como Celtic Frost, Bathory, King Diamond, que tinha conhecido por intermédio de amigos mais velhos e colegas da escola e estas descobertas tinham, em definitivo, mudado a minha vida. Daí ao vento mais underground do Metal Brasileiro, Sarcófago, early Sepultura, Genocídio, entre Europas do Norte, Polónia, Noruega, cassetes com nomes como Unknown Soldiers of Thrash, como bandas como Vader, ou gemas em bruto como Emperor, Old Funeral (que dariam origem aos Immortal), Nihilist, enfim centenas de documentos em cassete que descansam em busca de mais tempo pessoal, para lhes tirar poeiras e revisitar tempos que me marcaram profundamente. É sempre curioso que o pessoal do Underground que me apontam o dedo não tenham sequer vivido um por cento desta formação de uma cena que se tornou gloriosa, polémica mas sempre vibrante. Enfim, outras histórias...

Nesse mesmo ano em Portugal uma banda de Heavy Rock chamada Iberia lançava um single Hollywood, uma canção estupenda que, quanto a mim, rivalizava com os hits Heavy Rock lá de fora. O visual era arrojado, muito Van Halen, num tempo em que a diferença era vista com ânsia e alguma curiosidade, até pela coragem que era vestir algo diferente, ou ter um hairstyle à Americana. Os Iberia também esbarraram no tradicionalismo de um país que nunca aceitou, nem levou a sério o Hard Rock, pelo menos não da maneira justa, que este estilo específico merecia em comparação com a Europa e com os EUA, dos quais na altura estávamos ainda mais longe, quase isolados.

Os Ibéria tiveram uma carreira como que curta mas fulgurante, gerando mais consenso que polémica,e marcando o Rock Português de uma forma muito positiva, com singles radiofónicos e catchy, presença constante e aguerrida nos palcos, imagem, glamour sujo, com um pé no Heavy e outro no Rock. Eis que agora voltam ao nosso convivio, dia décadas depois.

Os regressos levantam sempre uma série de questões, mas no caso dos Ibéria é pacífico afirmar que este desejo é mais interior que conjuntural. É mais um acto de coragem e demonstra, sobretudo através do baixista e alma da banda João Sérgio Reis, como a música é muito mais que um interesse, uma carreira, uma luta desigual, um seguimento da praxe, não se consegue em bandas com originais faz-se de covers. É algo maior que arde dentro destes homens que sempre tiveram uma qualidade que os distingue e, na minha opinião, lhes permite encarar esta reunião com optimismo. Primeiro porque fizeram um disco pleno e afirmativo. Não é pelo facto de eu ou o meu colega Ricardo termos participado no disco que ele se torna importante. Na verdade, nós pouco que conseguimos fazer a diferença na nossa própria banda, quanto mais trazer para a realidade as expectativas de alguém! O facto é que canções como Nitro ou Angel, entre outras, dispensam qualquer efeito e a nossa aceitação deste convite é honesta, por questões de admiração e de amizade, acima de qualquer outra razão. Todos os envolvidos sabem disso.

E neste Sábado subiremos ao placo com as lendas que o ambiente Português ainda consegue deixar criar.

Fica a sugestão e o convite:



4 comentários:

Helena disse...

Boa Noite Fernando,

Gostaria muito de estar presente, mas como vivo no Norte, não me será possível.
Quando dizes "nós pouco que conseguimos fazer a diferença na nossa própria banda". Não Concordo. Acho que tu e o Ricardo são fundamentais nos Moonspell...aliás, tens uma voz lindíssima e bastante carisma, fazes toda a diferença.
Boa sorte no Sábado.
Um abraço

Helena

ADAR disse...

Perfeito...
São palavras destas que nos unem em torno de algo muito nosso.
O Metal!!!

\m/
Um grande abraço

Pedro José disse...

Lá estarei. na qualidade de primo, de amigo e principalmente admirador de uma grande banda

Obrigado por regressarem
Pedro José Reis

nuno disse...

Esse texto teu nao poderia ser mais verdadeiro pois também me iniciei no metal desde tenra idade (8 anos) tendo agora 34. tempos saudosos e idos que nao voltam mais e que deixaram mesmo muitas saudades para quem os viveu, tempos que desejámos nunca acabarem. mas os tempos sao outros e ainda temos a sorte de vermos bandas desse tempo voltarem e com mais força e garra ainda é algo de louvar e por isso mesmo também aqui saudo os ibéria e o excelente album novo que já tive o privilégio de ouvir.
CHEERS BROTHERS!!!!

Always stay metal!!!!