A revista Blitz deste mês é tem como tema maioritário a música de intervenção, inscrevendo-a na situação actual de crise do nosso país. Para esse efeito elaboraram um inquérito que colocaram a algumas figuras da cena musical Portuguesa.
Eu também tive a oportunidade de prestar o meu contributo e deixar o meu testemunho. Fica aqui a transcrição, com os meus agradecimentos ao Blitz.
1. A palavra ainda é uma arma?
Moon: A palavra será sempre uma arma. A falta dela (a quebra de promessa), alias, tem sido a principal arma contra todos nós. É lamentável como ainda nem nos encaminhamos para uma fiscalização séria do trabalho dos gestores e dos politicos. Até os artistas tem o seu público como juíz. Mas sim “a pena é mais forte do que a espada”, ainda me revejo neste adagio. Funciona é nos dois sentidos, no da reinvindicação mas também no da opressão.
2. Que canção de protesto gostaria de ter escrito?
How fortunate the men with none do Bertold Brecht. É pura poesia, ironia e desprendimento. Os Dead can dance fizeram um tema ao estilo deles. Mas a letra vai ao âmago da nossa história e humanidade. SE a musicasse fazia uma coisa épica, à Tyler Bates na banda Sonora do 300.
3. A revolução vai passar na televisão, no Facebook ou na rua?
Vai passar na televisão, ditada pelos gostos, direcção politica e audiências. Vai ser combinada no Facebook, esquecidas as banalidades, e vai acontecer na rua, dos gabinetes não se espera nada. Importante é não esquecermos que somos nós que vamos fazer a opção e teremos de viver com ela.
4. Existe uma geração parva?
Não. Há é gente parva, como todas as gerações. Também não me parece que a canção dos Deolinda seja um hino dessa geração, ou sequer uma canção de intervenção. Só se a intervenção for a contemplação do óbvio.Estudar, por exemplo, é sempre uma forma de enriquecimento pessoal e nos tempos que correm já podemos, muito mais facilmente, usar a nossa imaginação e criatividade para vencer o desemprego e a inércia. Parece-me mais uma canção para quem ainda espera que o estado social lhe resolva os problemas, indicando o caminho. Eu, pessoalmente, conto cada vez menos com isso, reinvidico é justiça no tratamento. Há mais pessoas a estudarem porque o ensino se democratizou e ainda bem! Eles que me desculpem. É, para mim, um retrato nada feliz, desajustado da realidade. A geração no poder é a anterior à nossa, e quando a nossa tiver as condições reunidas para lhe suceder, estou optimista que faremos melhores escolhas. O segredo é pegar nas pequenas histórias de sucesso de Portugal a nível de gestão, novos mercados, tecnologias, desporto e artes e torná-la a realidade de um país. Mas antes os velhos modos (no governo, na indústria musical, por aí fora) terão de desaparecer e irão desaparecer, quanto mais não seja por exaustão. Não adianta fazer o retrato dos parvos, o importante é pintar por cima.
5. Cairo é: um exemplo a seguir, uma música dos Táxi, ou o cenário de algo que nunca veremos a acontecer em Portugal?
Parece-me que os árabes,apesar de tudo, são dos únicos povos que ainda conseguem sonhar e que tem objectivos mais nobres do que enriquecer, mantendo o status quo. Estas pessoas querem nações, tem fome de ser um país que viva em função dos seus habitantes e não para alimentar em exclusivo uma família real ou de governantes. Toda esta revolução acontece por causa dessa fome. Foi insustentável para os governantes manterem a farsa. Espero muito honestamente que estes novos exemplos não regridam no período pós-revolucionário como aconteceu ao Irão com a Revolução Islâmica. A Europa é uma federação de povos cépticos. Os Ingleses orientam-se porque são mais civilizados para o fazer em conjunto com as elites. Os povos de Sul não conseguirão dessa maneira. A Europa também se fartou de guerras, não podemos ter cidades em ruínas em 2011, não é o nosso cenário. Mais uma vez repito que a haver revolução sera pela inteligência, pela justiça e pela exaustão em relação à dualidade de critérios dos governos. Não sei se pegaremos em armas. Mas algo irá acontecer, talvez não tão radicalmente, mais demoradamente, à Europeu.
6. Que música dedica ao Governo português?
Fuck the system, dos Exploited.
«E eu e tu o que é que temos que fazer?» (completar a gosto a letra do tema do Abrunhosa)
talvez sobreviver
Destaque ainda para a belíssima entrevista de um dos homens mais esclarecidos que já conheci em Portugal no meio musical, José Mário Branco:
http://blitz.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&op=view&m=17&fokey=bz.stories/72077
Divulguem, comentem e uma boa semana a todos.
terça-feira, 29 de março de 2011
segunda-feira, 21 de março de 2011
Filosofia e Rock
Caros amigos e bloggers. Deixo-vos aqui o texto que me serviu de base à lição da FLUL, no mês passado, no âmbito do programa 100 LIÇÕES da Reitoria da Universidade de Lisboa.
(o texto sofreu algumas alterações na apresentação oral)
Um abraço e boa semana:
Filosofia e Rock- como viver no mundo da poesia eléctrica.
Nestes anos todos tenho vivido diversos paradoxos. A minha passagem pelo Curso de Filosofia, trouxe-me, pelos menos alguma capacidade para os identificar e integrar no meu quotidiano, que muito tinha de estranho mas que por outro lado ia fazendo sentido. Muitas vezes na estrada, nas digressões, as pessoas trocam algo mais que banalidades, e muitas vezes me perguntavam, por causa das letras, a minha formação. À resposta de cursei filosofia a reacção era de inevitável esclarecimento: sim faz todo o sentido. Às vezes eu que ficava desarmado mas por pouco tempo já que a história do Rock e do Metal e das Humanidades era longa, frutífera, sólida, analisada e documentada.
Fazia sentido porque talvez haja algo de ainda místico no encontro entre um fã do Médio Oriente e um cantor de Heavy Metal de Portugal. Por questões da imagem prestigiante de poetas e filósofos Portugueses que se encontra, com ou sem espanto, por todo o mundo. Porque Portugal é ele também um paradoxo lunar, com a sua costa banhada pelo Sol deslumbrando uma terra de pura e complexa melancolia. Fazia sentido à senhora mais velha, em outras andanças minhas, que via o elemento estranho de um grupo popular como alguém que pensa e que por isso parece assim: vestido de negro, anéis nas mãos.
É deliciosa esta estranheza que ainda desaprova a profissão do filosofo (ou do investigador filosófico) mas cuja repulsa é minada, por dentro, pelo fascínio que o filosofar ainda desperta, até pela questão de como gerir o nosso pouco tempo da vida, gasto a pensar, mapeado pela dúvida, numa época cruelmente pragmática e material. Consigo perceber, até mesmo identificar-me com esta reticência das pessoas comuns porque eu me colocava assim mesmo, como um comum, perante a leitura de Kant. A sua matéria era para mim como visualmente circular, estando eu, através de mapas e esquemas cedidos pelo autor, a construir, pela abstracção, como que tubos acrílicos que ajudassem a fluir o vapor do pensamento e sair do outro lado, por uma torneira bonita, de ouro, num fiozinho de água, claro aos nossos olhos. O que eu mais admirava ainda era aquilo que, mais coloquialmente, digo a amigos em conversas filosóficas de café que mantemos entre copos: imaginem o Kant sentado. Pensando em como se pensa e depois elaborando documentos com notas precisas do que são feitas as ideias. Penso que esta é a imagem mais próxima que tenho da abstracção, fisionomicamente substanciadas pelo pensamento comum, num processo que envolvia tudo aquilo que Kant descrevera ao fazer exactamente isto. Um pouco como aquela imagem nos programas antigos da RTP 1 em que aparecia um Sr. Na Televisão com uma televisão que transmitia aquele Sr na televisão com uma televisão no ângulo superior direito, vezes sem conta, numa repetição que nunca esqueci e que me permitiu melhor perceber o infinito. Tal como o Kant a sentar-se para pensar sobre pensar me ensinara a abstracção.
Antes de me tornar profissional da música, dei explicações em part time de Filosofia e Inglês. Tinha um conceito dinâmico, explicações ao domicilio, intensificadas pela proximidade dos testes que me fizeram perder concertos importantes (quando os G’N’Roses vieram a primeira vez a Portugal, estava eu a explicar a morte da religião de Hegel numa torre de apartamentos na Quinta da Luz de onde se ouvia ao longe o concerto). Chegados ao esquematismo dos conceitos puros do entendimento de Kant, muitas vezes recorria à vulgaridade inocente de pegar num prato e num círculo para designar objecto e ideia de objecto. Bem sei que era uma comparação simplisticamente abusiva mas uma parte de mim gostava desse minimalismo de puto que estuda Filosofia e consegue explicar a outros, fazendo avançar a roda.
Por incrível que pareça o auditório 1 da FLUL foi o primeiro palco que enfrentei a sério, descontando a meia dúzia de concertos com a banda em condições inimagináveis por terras de Portugal corria o ano de 1993. Lembro-me perfeitamente do Dr. António Pedro Mesquita ter desenvolvido uma iniciativa que consistia numa série de apresentações orais perante as turmas e o próprio professor, em jeito de aula, onde durante uma hora tínhamos oportunidade não só de apresentar o nosso trabalho mas também de vestir melhor a pele e avisão do professor, uma das duas alternativas que teríamos no mercado do trabalho. A outra seria a de investigador. Ou inesperadamente: cantor de uma banda heavy!
Nesse dia vesti até uma roupa que seria (e por vezes foi) mais apropriada para um concerto com os Moonspell: calças de cabedal, presas por fios nas laterais, camisa branca e colete de cabedal. Atei o cabelo mais em cima e foi com este aspecto medieval e pagão que me apresentei perante a minha audiência (onde se incluíam alunos do terceiro ano com a disciplina de Filosofia Antiga “ pendurada”) para debatermos em conjunto o tema que eu propunha: Diversos aspectos da inauguralidade do pensamento parmenídeo no contexto da filosofia antiga.
Algumas notas:
- Inauguralidade era a minha palavra preferida da época e usava-a em tudo o que podia, desde trabalhos para o curso às letras e cartas escritas pelos Moonspell.
- Adorava usar a palavra parmenídeo em vez do simples de Parménides. A palavra fazia com que tudo fluísse e ao mesmo tempo substantivava e adjectivava (se tal fosse possível) o pensamento do Pré-Socrático. Ai está uma palavra que não gostava tanto. Por fim, a utilização do E depois do M e o acento agudo no I depois do N tornavam-na uma palavra irresistível de repetir.
- Diversos aspectos foi o inicio escolhido para título de vários trabalhos meus (por exemplo Diversos aspectos do cogito agostiniano em Filosofia Medieval) e cujas razões são simples de perceber e andarão entre a ingenuidade e a Chico-espertice.
A memoria que guardo da aula conta-se entre as memorias mais felizes que tenho. O Dr. Pedro Mesquita dirigiu-se a mim perante a turma gabando-me a coragem e a fluidez da aula tendo também em conta alta os vários discernimentos duvidosos e acepções erradas eu que tinha apresentado à turma! Esta justiça de comentário não me esmoreceu, pelo contrario, entreguei o meu trabalho final exactamente sobre o mesmo tema, ajuntando algumas leituras e comentários ao corpo do texto sob o qual tinha baseado a aula. Passei à disciplina com quinze valores aos quais acho que o meu acto de bravura no auditório não é alheio.
Atalho, para depositar a esperança, de que a recordação de hoje também encontre lugar neste deposito arejado onde se encontram os melhores momentos da minha vida.
Existe um mito que os artistas e as pessoas que estão a comprar casa partilham. É o mito do clique. Aquela faísca meio pentecostal que surge dentro da nossa cabeça, faz o ar passar mais farto entre a garganta e o coração, acelerando ambos quando na presença dessa experiência. Foi isso que esta aula me deu. E que a faculdade e o curso de Filosofia me passou.
Eu sou um rapaz dos subúrbios, do tempo em que os subúrbios eram um mundo e viajar até Lisboa uma viagem interplanetária. Alguns de nós seguiam vidas sem regras. Outros liam Dostoivesky, viam Woody Allen, compravam a K do Miguel Esteves Cardoso e, sem acesso a muita coisa, tínhamos um acesso ilimitado à nossa inteligência e poder criativo e especulativo e sobretudo uma sede de conhecimento só saciável pelas fontes que estes edifícios centenários encerravam. Quando vinha na camioneta da Brandoa até ao Colégio Militar e numa viagem de ficção toda a linha do metro até à Cidade Universitária, ouvindo sempre música e lendo sempre um livro, tinha tempo para pensar, romantizar, sentindo ganas e nervos pelo ambiente, pelas lições, pela partilha que se realiza na Universidade. Muitas vezes me senti num labirinto académico, com contra-senhas bizarras: reprografia azul, departamento, pavilhão no Campo Grande. Muito me valeram as minhas colegas, bússolas infalíveis para alguém com a cabeça na lua. Passados uns tempos já soavam familiares aos meus ouvidos o Kirk & Raven, o Izusquisa, a livraria da Gulbenkian e o bar onde se comia mais barato.
Era a idade da pedra desta geração. Quase com Internet. Mas ainda sem ela. Não era melhor, nem pior, tínhamos outras confusões mas outras orientações também, que equilibravam uma tradição de boas intenções com o já irrequieto desejo que os noventa se fossem.
Os Moonspell são contemporâneos e como tal uma mistura destes mundos. Eu sou incrivelmente reconhecido como um filosofo no Metal e do Metal. É paradoxal, pomposo e estranho. Mas não há publicação que não comente isso quando fala comigo. No Expresso fui o filosofo metálico numa edição da revista Única. Na Alemanha, na revista Metal Hammer, que vende 60.000 unidades por mês, chegando agora a uma comunidade virtual de 300.000 pessoas, focou muito o aspecto de uma das nossas canções Handmade God (Deus feito à mão) ser influenciada pelo ateísmo hermenêutico de Feuerbach da Essência do Cristianismo, ou os fãs romenos contentes por eu conhecer alguma da obra de Cioran e ter usado essa leitura noutro tema. São estes brilharetes que o privilégio de ter cursado aqui na Universidade de Lisboa, Faculdade de Letras me permitiram fazer. E por isso estou profundamente agradecido.
A minha vida é, em definitivo, um paradoxo aparente de algo que é universal, verificável e emocionalmente sentido. Há bem pouco tempo estive com os Moonspell a tocar num cruzeiro de Heavy Metal entre Miami, EUA e Cozumel, México. Quarenta e oito nações presentes para ver quarenta bandas numa Babel de afectos, comunhão e diversão a todos os níveis bíblica. Hoje elaboro aqui a minha experiência e vivência da electricidade da poesia e da filosofia. Afinal, se me permitem, nós somos ainda o dedo por trás dos botões, os olhos por detrás do ecrã, o garante de funcionamento de todo o mundo e civilização e, ao mesmo tempo, o seu maior e mais iminente perigo. Esta pujança não pode, nem vai deixar de ser pensada e entendida; e nunca a validade deste paradoxo entre barcos cheios de decibéis e salas como esta cheia de notáveis amigos que gostam e muito de pensar, fez, para mim, mais sentido.
Um muito obrigado a todos por terem vindo. A todos os meus colegas e professores do tempo do Curso. A todos os responsáveis por este amável convite, que em boa hora para mim se lembraram de mo endereçar, muito obrigado. Uma longa vida à Universidade de Lisboa e ao Seu Exmo Reitor e a todo o corpo docente e administrativo e de alunos desta nobre instituição, um humilde agradecimento. Sapere aude. Ousa saber.
(o texto sofreu algumas alterações na apresentação oral)
Um abraço e boa semana:
Filosofia e Rock- como viver no mundo da poesia eléctrica.
Nestes anos todos tenho vivido diversos paradoxos. A minha passagem pelo Curso de Filosofia, trouxe-me, pelos menos alguma capacidade para os identificar e integrar no meu quotidiano, que muito tinha de estranho mas que por outro lado ia fazendo sentido. Muitas vezes na estrada, nas digressões, as pessoas trocam algo mais que banalidades, e muitas vezes me perguntavam, por causa das letras, a minha formação. À resposta de cursei filosofia a reacção era de inevitável esclarecimento: sim faz todo o sentido. Às vezes eu que ficava desarmado mas por pouco tempo já que a história do Rock e do Metal e das Humanidades era longa, frutífera, sólida, analisada e documentada.
Fazia sentido porque talvez haja algo de ainda místico no encontro entre um fã do Médio Oriente e um cantor de Heavy Metal de Portugal. Por questões da imagem prestigiante de poetas e filósofos Portugueses que se encontra, com ou sem espanto, por todo o mundo. Porque Portugal é ele também um paradoxo lunar, com a sua costa banhada pelo Sol deslumbrando uma terra de pura e complexa melancolia. Fazia sentido à senhora mais velha, em outras andanças minhas, que via o elemento estranho de um grupo popular como alguém que pensa e que por isso parece assim: vestido de negro, anéis nas mãos.
É deliciosa esta estranheza que ainda desaprova a profissão do filosofo (ou do investigador filosófico) mas cuja repulsa é minada, por dentro, pelo fascínio que o filosofar ainda desperta, até pela questão de como gerir o nosso pouco tempo da vida, gasto a pensar, mapeado pela dúvida, numa época cruelmente pragmática e material. Consigo perceber, até mesmo identificar-me com esta reticência das pessoas comuns porque eu me colocava assim mesmo, como um comum, perante a leitura de Kant. A sua matéria era para mim como visualmente circular, estando eu, através de mapas e esquemas cedidos pelo autor, a construir, pela abstracção, como que tubos acrílicos que ajudassem a fluir o vapor do pensamento e sair do outro lado, por uma torneira bonita, de ouro, num fiozinho de água, claro aos nossos olhos. O que eu mais admirava ainda era aquilo que, mais coloquialmente, digo a amigos em conversas filosóficas de café que mantemos entre copos: imaginem o Kant sentado. Pensando em como se pensa e depois elaborando documentos com notas precisas do que são feitas as ideias. Penso que esta é a imagem mais próxima que tenho da abstracção, fisionomicamente substanciadas pelo pensamento comum, num processo que envolvia tudo aquilo que Kant descrevera ao fazer exactamente isto. Um pouco como aquela imagem nos programas antigos da RTP 1 em que aparecia um Sr. Na Televisão com uma televisão que transmitia aquele Sr na televisão com uma televisão no ângulo superior direito, vezes sem conta, numa repetição que nunca esqueci e que me permitiu melhor perceber o infinito. Tal como o Kant a sentar-se para pensar sobre pensar me ensinara a abstracção.
Antes de me tornar profissional da música, dei explicações em part time de Filosofia e Inglês. Tinha um conceito dinâmico, explicações ao domicilio, intensificadas pela proximidade dos testes que me fizeram perder concertos importantes (quando os G’N’Roses vieram a primeira vez a Portugal, estava eu a explicar a morte da religião de Hegel numa torre de apartamentos na Quinta da Luz de onde se ouvia ao longe o concerto). Chegados ao esquematismo dos conceitos puros do entendimento de Kant, muitas vezes recorria à vulgaridade inocente de pegar num prato e num círculo para designar objecto e ideia de objecto. Bem sei que era uma comparação simplisticamente abusiva mas uma parte de mim gostava desse minimalismo de puto que estuda Filosofia e consegue explicar a outros, fazendo avançar a roda.
Por incrível que pareça o auditório 1 da FLUL foi o primeiro palco que enfrentei a sério, descontando a meia dúzia de concertos com a banda em condições inimagináveis por terras de Portugal corria o ano de 1993. Lembro-me perfeitamente do Dr. António Pedro Mesquita ter desenvolvido uma iniciativa que consistia numa série de apresentações orais perante as turmas e o próprio professor, em jeito de aula, onde durante uma hora tínhamos oportunidade não só de apresentar o nosso trabalho mas também de vestir melhor a pele e avisão do professor, uma das duas alternativas que teríamos no mercado do trabalho. A outra seria a de investigador. Ou inesperadamente: cantor de uma banda heavy!
Nesse dia vesti até uma roupa que seria (e por vezes foi) mais apropriada para um concerto com os Moonspell: calças de cabedal, presas por fios nas laterais, camisa branca e colete de cabedal. Atei o cabelo mais em cima e foi com este aspecto medieval e pagão que me apresentei perante a minha audiência (onde se incluíam alunos do terceiro ano com a disciplina de Filosofia Antiga “ pendurada”) para debatermos em conjunto o tema que eu propunha: Diversos aspectos da inauguralidade do pensamento parmenídeo no contexto da filosofia antiga.
Algumas notas:
- Inauguralidade era a minha palavra preferida da época e usava-a em tudo o que podia, desde trabalhos para o curso às letras e cartas escritas pelos Moonspell.
- Adorava usar a palavra parmenídeo em vez do simples de Parménides. A palavra fazia com que tudo fluísse e ao mesmo tempo substantivava e adjectivava (se tal fosse possível) o pensamento do Pré-Socrático. Ai está uma palavra que não gostava tanto. Por fim, a utilização do E depois do M e o acento agudo no I depois do N tornavam-na uma palavra irresistível de repetir.
- Diversos aspectos foi o inicio escolhido para título de vários trabalhos meus (por exemplo Diversos aspectos do cogito agostiniano em Filosofia Medieval) e cujas razões são simples de perceber e andarão entre a ingenuidade e a Chico-espertice.
A memoria que guardo da aula conta-se entre as memorias mais felizes que tenho. O Dr. Pedro Mesquita dirigiu-se a mim perante a turma gabando-me a coragem e a fluidez da aula tendo também em conta alta os vários discernimentos duvidosos e acepções erradas eu que tinha apresentado à turma! Esta justiça de comentário não me esmoreceu, pelo contrario, entreguei o meu trabalho final exactamente sobre o mesmo tema, ajuntando algumas leituras e comentários ao corpo do texto sob o qual tinha baseado a aula. Passei à disciplina com quinze valores aos quais acho que o meu acto de bravura no auditório não é alheio.
Atalho, para depositar a esperança, de que a recordação de hoje também encontre lugar neste deposito arejado onde se encontram os melhores momentos da minha vida.
Existe um mito que os artistas e as pessoas que estão a comprar casa partilham. É o mito do clique. Aquela faísca meio pentecostal que surge dentro da nossa cabeça, faz o ar passar mais farto entre a garganta e o coração, acelerando ambos quando na presença dessa experiência. Foi isso que esta aula me deu. E que a faculdade e o curso de Filosofia me passou.
Eu sou um rapaz dos subúrbios, do tempo em que os subúrbios eram um mundo e viajar até Lisboa uma viagem interplanetária. Alguns de nós seguiam vidas sem regras. Outros liam Dostoivesky, viam Woody Allen, compravam a K do Miguel Esteves Cardoso e, sem acesso a muita coisa, tínhamos um acesso ilimitado à nossa inteligência e poder criativo e especulativo e sobretudo uma sede de conhecimento só saciável pelas fontes que estes edifícios centenários encerravam. Quando vinha na camioneta da Brandoa até ao Colégio Militar e numa viagem de ficção toda a linha do metro até à Cidade Universitária, ouvindo sempre música e lendo sempre um livro, tinha tempo para pensar, romantizar, sentindo ganas e nervos pelo ambiente, pelas lições, pela partilha que se realiza na Universidade. Muitas vezes me senti num labirinto académico, com contra-senhas bizarras: reprografia azul, departamento, pavilhão no Campo Grande. Muito me valeram as minhas colegas, bússolas infalíveis para alguém com a cabeça na lua. Passados uns tempos já soavam familiares aos meus ouvidos o Kirk & Raven, o Izusquisa, a livraria da Gulbenkian e o bar onde se comia mais barato.
Era a idade da pedra desta geração. Quase com Internet. Mas ainda sem ela. Não era melhor, nem pior, tínhamos outras confusões mas outras orientações também, que equilibravam uma tradição de boas intenções com o já irrequieto desejo que os noventa se fossem.
Os Moonspell são contemporâneos e como tal uma mistura destes mundos. Eu sou incrivelmente reconhecido como um filosofo no Metal e do Metal. É paradoxal, pomposo e estranho. Mas não há publicação que não comente isso quando fala comigo. No Expresso fui o filosofo metálico numa edição da revista Única. Na Alemanha, na revista Metal Hammer, que vende 60.000 unidades por mês, chegando agora a uma comunidade virtual de 300.000 pessoas, focou muito o aspecto de uma das nossas canções Handmade God (Deus feito à mão) ser influenciada pelo ateísmo hermenêutico de Feuerbach da Essência do Cristianismo, ou os fãs romenos contentes por eu conhecer alguma da obra de Cioran e ter usado essa leitura noutro tema. São estes brilharetes que o privilégio de ter cursado aqui na Universidade de Lisboa, Faculdade de Letras me permitiram fazer. E por isso estou profundamente agradecido.
A minha vida é, em definitivo, um paradoxo aparente de algo que é universal, verificável e emocionalmente sentido. Há bem pouco tempo estive com os Moonspell a tocar num cruzeiro de Heavy Metal entre Miami, EUA e Cozumel, México. Quarenta e oito nações presentes para ver quarenta bandas numa Babel de afectos, comunhão e diversão a todos os níveis bíblica. Hoje elaboro aqui a minha experiência e vivência da electricidade da poesia e da filosofia. Afinal, se me permitem, nós somos ainda o dedo por trás dos botões, os olhos por detrás do ecrã, o garante de funcionamento de todo o mundo e civilização e, ao mesmo tempo, o seu maior e mais iminente perigo. Esta pujança não pode, nem vai deixar de ser pensada e entendida; e nunca a validade deste paradoxo entre barcos cheios de decibéis e salas como esta cheia de notáveis amigos que gostam e muito de pensar, fez, para mim, mais sentido.
Um muito obrigado a todos por terem vindo. A todos os meus colegas e professores do tempo do Curso. A todos os responsáveis por este amável convite, que em boa hora para mim se lembraram de mo endereçar, muito obrigado. Uma longa vida à Universidade de Lisboa e ao Seu Exmo Reitor e a todo o corpo docente e administrativo e de alunos desta nobre instituição, um humilde agradecimento. Sapere aude. Ousa saber.
sexta-feira, 11 de março de 2011
À rasca com a chuva
Estas últimas semanas, na minha opinião, tem sido dramáticas para o país. A juntar à crise, provocada pela sobranceria das elites e governantes, está o espírito de rebanho de um povo que, tendo muitas razões de queixa, não consegue reunir a força, a moral e a personalidade que lhe permita combater, com eficácia, a corrente pela qual foi arrastado, muitas vezes por estar simplesmente a descansar nas margens. Temos de aprender a criticar a nossa acção de modo a que consigamos encontrar caminhos mais independentes do Estado e da Sociedade Civil. Temos de aprender a gerir as nossas expectativas e a alimentar a esperança com mais razão, coisa que só podemos encontrar na inteligência e dedicação com que gerimos a nossa actividade, seja ela qual for.
Portugal é um país com um potencial impressionante mas esse potencial é ignorado pela maioria das pessoas com poder executivo e de decisão. No entanto, isso não quer dizer que as coisas não se façam. Não é preciso criar um gabinete de exportação da música nacional como condição sinequanon de internacionalização da música. Bandas já o conseguiram sem dinheiro estatal. Não só bandas, como agentes individuais de cultura ou grupos de teatro. Isto a exemplo de que não pode ser regra que a cada intenção de, por exemplo, exportação de cultura se tenha de desenhar um plano que envolva dinheiros públicos. É esse círculo vicioso que faz com que existam centenas de fundações, empresas público-privadas, associações que vieram apenas consumir recursos e dificultar, tecnocraticamente, os processos.
Vivemos num país em que muito gente se sobrevaloriza. Todos já o fizemos. As pessoas com maior sucesso no nosso país são sempre as mais realistas, as que conseguem gerir a expectativa e o trabalho focado nessa expectativa da melhor maneira. Os Portugueses começam a sobrevalorizar as suas crianças logo desde as primeiras gracinhas de bébé, mas na hora de se apostar na educação e na direcção dos seus jovens, o país é tradicionalista e oportunista e prefere a solução e o caminho mais curto do que pensar a prazos mais longos. É natural que haja um colapso nas vagas de emprego para onde houve mais formandos. As pessoas, os estudantes preocuparam-se com o imediato, esquecendo a exaustão e a finitude dos recursos. O sistema de emprego Português também não facilita e é profundamente desequilibrado. Por exemplo em Medicina há uma exigência quase elitista e muitos dos nossos profissionais terão de emigrar pois num país mais desenvolvido, que valoriza a experiência e o dia-a-dia, as suas notas lhes permitem uma colocação interdita em Portugal que prefere importar médicos a equilibrar a colocação de alunos com uma média superior mas que não chega para os hospitais nacionais.
No capítulo das Artes temos de acabar com a expectativa do mecenato e elaborar uma lógica de subsistência própria. Há imensa gente de muito valor mas o fiel da balança muitas vezes pende para uma actividade artística divorciada do público e como tal separada, à nascença, da receita e do retorno que a Arte, em todo o mundo, em qualquer patamar, pode e deve gerar. O mundo artístico é um mundo que conheço bem e muitas vezes me deparo com situações de dolo, preguiça, leviandade. Metade das casas que uma ou outra vez frequentei, metade dos jantares e get togethers a que fui, e por aí fora são exemplos de que muitos artistas vivem bem melhor que a média da população e essa vivência é subsidiada pelo contribuinte, facto pura e simplesmente ignorado pelo fosso criador-consumidor que a cena, especialmente em Lisboa, alimenta de forma errada. Digo isto por contacto directo. Qualquer pessoa do teatro ou especialmente do cinema tem uma casa, carro e condições melhores que as minhas, que vivo da música, que tenho de investir com regularidade na minha actividade a nível de material, por exemplo, e que considero Moonspell como um projecto bastante activo, com centenas de concertos por ano, lançamentos mais ou menos constantes, isto para não falar dos outros projectos em que me envolvo regularmente.
Muito mais que a questão de a relva do outro lado da vedação ser mais verde, esta é uma realidade que observei e que não consegui computar mas que pode ser facilmente verificada.
Amanhã não irei à manifestação por não me identificar com a sua semântica e participantes. Por outro lado, longe de mim censurar quem luta mas terei de esperar que a esta manifestação se siga o rumo natural de tentar melhorar em casa, no escritório, no estúdio antes de se sair à rua. Na rua tudo acontece, mas entre paredes tudo se pensa.
Deixo-vos três apontamentos que achei que dignificaram a discussão, apresentando pontos de vista válidos que subscrevo na sua maior parte.
O primeiro é um texto que criou polémica com a nova geração. Tenho 37 anos e identifico-me com a maioria das palavras de Isabel Stilwell e acho que as devemos saber escutar antes de contra-atacar a verdade com argumentos umbilicais. Podem ver esse texto aqui:
http://www.destak.pt/opiniao/87876
O outro texto é de Pedro Boucherie Mendes que faz o historial necessário, contextualizando a acção de Jel/Neto, Homens da Luta. Conheço o Jel há coisa de quinze anos e sempre foi uma pessoa da intervenção. A criatura politica do momento também é um comediante: Jon Stewart. O Festival da Canção pode ser um pormenor para mim, enquanto músico e cidadão, mas os Homens da Luta serão algo mais complexo e aberto que os malucos que o país precisava para sucederem, na moda de intervenção, aos Deolinda. Fica o texto:
http://www.ionline.pt/conteudo/109069-um-homem-que-luta
E por fim uma citação do músico B Fachada (do qual manifestamente me distancio musicalmente e semanticamente) mas que respondeu com brilho a uma entrevista da revista Blitz de Março da qual destaco este excerto:
"(...) Eu não quero fazer parte dos anos Zero portugueses, tenho a ambição de uma profissionalização mais abrangente. Ouço aqueles discos (tinha citado Joanna Newson, John Grant, Ariel Pink) e o meu, ao lado deles, soa fraquinho- e isso não me satisfaz. Não me interessa perseguir um lugar nobre numa cultura pobre. Temos que conseguir melhorar os nossos estúdios, fazer com que os músicos trabalhem como se trabalha lá fora. Já chega de para português, não está mau."
Aqui se aplaude essa inquietação num país que parece, musicalmente, cada vez mais fechado sobre si mesmo, desistindo de se mostrar e de ser por em bicos de pé.
Aqui no estúdio Inferno trabalha-se com afinco, prazer e expectativa num novo disco que irá seguir à risca o lema do equilibrio entre o que fazemos e o que podemos esperar.
A todos um bom fim-de-semana e boa leitura!
Portugal é um país com um potencial impressionante mas esse potencial é ignorado pela maioria das pessoas com poder executivo e de decisão. No entanto, isso não quer dizer que as coisas não se façam. Não é preciso criar um gabinete de exportação da música nacional como condição sinequanon de internacionalização da música. Bandas já o conseguiram sem dinheiro estatal. Não só bandas, como agentes individuais de cultura ou grupos de teatro. Isto a exemplo de que não pode ser regra que a cada intenção de, por exemplo, exportação de cultura se tenha de desenhar um plano que envolva dinheiros públicos. É esse círculo vicioso que faz com que existam centenas de fundações, empresas público-privadas, associações que vieram apenas consumir recursos e dificultar, tecnocraticamente, os processos.
Vivemos num país em que muito gente se sobrevaloriza. Todos já o fizemos. As pessoas com maior sucesso no nosso país são sempre as mais realistas, as que conseguem gerir a expectativa e o trabalho focado nessa expectativa da melhor maneira. Os Portugueses começam a sobrevalorizar as suas crianças logo desde as primeiras gracinhas de bébé, mas na hora de se apostar na educação e na direcção dos seus jovens, o país é tradicionalista e oportunista e prefere a solução e o caminho mais curto do que pensar a prazos mais longos. É natural que haja um colapso nas vagas de emprego para onde houve mais formandos. As pessoas, os estudantes preocuparam-se com o imediato, esquecendo a exaustão e a finitude dos recursos. O sistema de emprego Português também não facilita e é profundamente desequilibrado. Por exemplo em Medicina há uma exigência quase elitista e muitos dos nossos profissionais terão de emigrar pois num país mais desenvolvido, que valoriza a experiência e o dia-a-dia, as suas notas lhes permitem uma colocação interdita em Portugal que prefere importar médicos a equilibrar a colocação de alunos com uma média superior mas que não chega para os hospitais nacionais.
No capítulo das Artes temos de acabar com a expectativa do mecenato e elaborar uma lógica de subsistência própria. Há imensa gente de muito valor mas o fiel da balança muitas vezes pende para uma actividade artística divorciada do público e como tal separada, à nascença, da receita e do retorno que a Arte, em todo o mundo, em qualquer patamar, pode e deve gerar. O mundo artístico é um mundo que conheço bem e muitas vezes me deparo com situações de dolo, preguiça, leviandade. Metade das casas que uma ou outra vez frequentei, metade dos jantares e get togethers a que fui, e por aí fora são exemplos de que muitos artistas vivem bem melhor que a média da população e essa vivência é subsidiada pelo contribuinte, facto pura e simplesmente ignorado pelo fosso criador-consumidor que a cena, especialmente em Lisboa, alimenta de forma errada. Digo isto por contacto directo. Qualquer pessoa do teatro ou especialmente do cinema tem uma casa, carro e condições melhores que as minhas, que vivo da música, que tenho de investir com regularidade na minha actividade a nível de material, por exemplo, e que considero Moonspell como um projecto bastante activo, com centenas de concertos por ano, lançamentos mais ou menos constantes, isto para não falar dos outros projectos em que me envolvo regularmente.
Muito mais que a questão de a relva do outro lado da vedação ser mais verde, esta é uma realidade que observei e que não consegui computar mas que pode ser facilmente verificada.
Amanhã não irei à manifestação por não me identificar com a sua semântica e participantes. Por outro lado, longe de mim censurar quem luta mas terei de esperar que a esta manifestação se siga o rumo natural de tentar melhorar em casa, no escritório, no estúdio antes de se sair à rua. Na rua tudo acontece, mas entre paredes tudo se pensa.
Deixo-vos três apontamentos que achei que dignificaram a discussão, apresentando pontos de vista válidos que subscrevo na sua maior parte.
O primeiro é um texto que criou polémica com a nova geração. Tenho 37 anos e identifico-me com a maioria das palavras de Isabel Stilwell e acho que as devemos saber escutar antes de contra-atacar a verdade com argumentos umbilicais. Podem ver esse texto aqui:
http://www.destak.pt/opiniao/87876
O outro texto é de Pedro Boucherie Mendes que faz o historial necessário, contextualizando a acção de Jel/Neto, Homens da Luta. Conheço o Jel há coisa de quinze anos e sempre foi uma pessoa da intervenção. A criatura politica do momento também é um comediante: Jon Stewart. O Festival da Canção pode ser um pormenor para mim, enquanto músico e cidadão, mas os Homens da Luta serão algo mais complexo e aberto que os malucos que o país precisava para sucederem, na moda de intervenção, aos Deolinda. Fica o texto:
http://www.ionline.pt/conteudo/109069-um-homem-que-luta
E por fim uma citação do músico B Fachada (do qual manifestamente me distancio musicalmente e semanticamente) mas que respondeu com brilho a uma entrevista da revista Blitz de Março da qual destaco este excerto:
"(...) Eu não quero fazer parte dos anos Zero portugueses, tenho a ambição de uma profissionalização mais abrangente. Ouço aqueles discos (tinha citado Joanna Newson, John Grant, Ariel Pink) e o meu, ao lado deles, soa fraquinho- e isso não me satisfaz. Não me interessa perseguir um lugar nobre numa cultura pobre. Temos que conseguir melhorar os nossos estúdios, fazer com que os músicos trabalhem como se trabalha lá fora. Já chega de para português, não está mau."
Aqui se aplaude essa inquietação num país que parece, musicalmente, cada vez mais fechado sobre si mesmo, desistindo de se mostrar e de ser por em bicos de pé.
Aqui no estúdio Inferno trabalha-se com afinco, prazer e expectativa num novo disco que irá seguir à risca o lema do equilibrio entre o que fazemos e o que podemos esperar.
A todos um bom fim-de-semana e boa leitura!
quinta-feira, 10 de março de 2011
Conquistadores- report Maxmen 70.000 tons of Metal
“Por mares nunca assim navegados”
Dias antes de zarparmos para esta nova aventura, os comentários dos nossos amigos e familiares sobre o Titanic cresceram de tom, sem nós queremos acreditar que o mais negro dos humores se instalava dentro do nosso próprio núcleo de amigos e familiares. Afinal, era-nos complicado explicar que íamos tocar num cruzeiro de Metal. Cinco dias entre Miami, Estados Unidos e Cozumel, México and back. Dois concertos, um num teatro do barco, um sítio maravilhosamente luxuriante, com talha fingida e candeeiros de sereias; outro, à volta, num palco montado exactamente na piscina,sete horas antes do Majesty of the Seas partir, e concluído minutos antes da chaminé começar a cuspir os primeiros fumos. Connosco, tocavam mais trinta e nove bandas, para uma lotação esgotada de 2000 pagantes, mil euros por bilhete, quarenta e oito nacionalidades. Arábia Saudita, Estados Unidos, Japão, Holanda, um grande contingente Alemão, quer em bandas, quer em festivaleiros, Espanha, Costa Rica, México e...Portugal! Explicar que não havia backstage, aliás a ideia era exactamente um open space, onde todos pudéssemos beber copos ou fazer jacuzzi juntos.
Foi sob o signo da incompreensão terrena e desejo Luso pelo Mar que saímos de Portugal de avião...Prometia a viagem: Lisboa- Londres (3 horas de espera)-Chicago (8 horas de espera)-Guatemala City, primeira paragem desta mini-epopeia de dez dias que para alem do cruzeiro, incluía dois concertos, um em Guatemala, outro na cidade do México e depois os dois do barco. Guatemala City foi uma confusão de pagamentos e sonos, lembro-me vagamente de secar a roupa do concerto com uma ventoinha e de todos as refeições serem pequenos-almoços. Teríamos ido ainda à Costa Rica mas o promotor disse que tinha partido uma perna e que não podia receber-nos como ele desejaria. Down to México.
O México é sempre a valer! Sala esgotada, duas mil e quinhentas almas, merecendo o melhor. Por isso tocamos na íntegra o nosso primeiro álbum Wolfheart e saímos sobre uma chuva de aplausos, dois soutiens e pedidos de encore. Acho que nem passámos 24 horas no México. Quando dei por mim já estava no Bubba Shrimp, um diner enorme inspirado no filme Forrest Gump, a comer marisco frito com batatas fritas e ketchup e cerveja americana. Comprados os essenciais para o barco, fomos fazer o check in no Majesty of the Seas, o enorme paquete que serviria de cenário, sobre as águas do Golfo do México, ao festim metálico do século!!! O primeiro problema foi arranjar transporte para o porto. Havia dois dias que dois policias da Miami Dade tinham sido executados por membros de gangs e esse dia era o funeral. Quando acordei vi a cidade parada e um desfile fúnebre de centenas de carros policiais, durante pelo menos vinte minutos. À grande e à Americana. Depois de muita negociação, chegámos, via shutlle/hotel/brazilian connections, finalmente ao porto.
Ao principio nem vimos o barco. Estava atrás de uma estrutura ainda maior que o escondia e onde fizemos o check in. Deram-nos um cartão tipo hotel, ligado ao nosso cartão de crédito, cash não era bem vindo a bordo, um cartão mágico que a organização já carregara para os músicos com a quantia de cem dólares para nós gastarmos como quiséssemos durante a viagem. A isto chamo saber receber. Depois da foto da praxe à porta do barco, onde conseguimos ficar todos mal fazendo com que a origem da foto pudesse ser ali no Terreiro do Paço, depois do exercício obrigatório de salvamento, que só o Pedro Paixão, o nosso teclista prestou atenção, subimos ao convés, vimos Miami anoitecer e começamos a investir o nosso crédito, mandando vir um balde cheio de Coronas on Ice, to get in the mood. Tínhamos finalmente zarpado em direcção aquilo que não tínhamos conseguido explicar convenientemente aos mais próximos.
Houve uma altura no barco em que toda a gente se sentiu como numa reunião do liceu. Afinal a cena metaleira e o mundo são mesmo uma concha. Afinal estas bandas que aqui estavam já se tinham cruzado em imensos festivais e desde logo se instalou um ambiente impecável. Os fãs deambulavam, tiravam a fotografia do costume, o autografo mas desde logo perceberam que estavam ente iguais e durante os dias todos que passámos ali foi espectacular compreender que não só cada um respeitava o seu espaço como a relação era fluida. Falava-se de música, da vida, dava-se os bons dias ao pequeno-almoço. Este barco fez muito pela cultura da proximidade. No primeiro dia não tocámos mas observámos e socializámos. Também é importante. Conhecemos os Portugueses que tinham vindo (uma saudação a todos!), cinco no total, fora nós. Um rapaz mais da nossa idade, com um bom emprego e uma vida sólida, e dois rapazes mais novos, acompanhados pelas mães se bem que nunca os tenha visto juntos, dois thrashers de alma e coração. Também conhecemos o André Seixas que me enviou um abraço juntamente com a conta do meu crédito. O André trabalhava no barco e estava muito entusiasmado com a nossa participação. No primeiro concerto lá estava ele com a camisola da selecção e nós a partilhar com a mesma intensidade que ele o orgulho de ser português, de estar entre iguais em terras ou mares estranhos, uma coisa que é boa apesar do pudor do Português em ser Português. Ao André, um abraço!
O primeiro concerto foi atribulado. Já em mar alto as coisas iam de outra maneira e nas manobras velocistas do Comandante para cumprir obrigações, o concerto começou mal com problema técnicos (uma constante infelizmente devido à natureza do evento) mas acabou em franca beleza com mais e mais público a chegar de outros concertos e a juntar-se, em boa hora, ao ritual lusitano. Acabei a noite numa situação comum mas com personagens incomuns, ao redor de uma fatia de pizza (servida até às cinco da manhã) à mesa com um venezuelano (Aires, o nosso baixista), e mais quatros pessoas, um canadiano, um saudita, um chileno (que baptizamos de Capitan Chile e que se houvesse prémio de simpatia no cruzeiro o teria arrebatado!), e uma rapariga da Nova Zelândia.
Bem, contar a experiência que foi este cruzeiro, uma actividade insólita que acabou por fazer história no Metal, nestas linhas é quase impossível. Haviam executivos, representantes da marca AVON no México, à biqueirada no concerto de Exodus; passavam hordes alemãs com cervejas num copo com a forma e o tamanho de uma bota alta; os hamburgers e as danças coreografadas dos empregados do Johhny Rockets; o dia de folga em Cozumel, bezerrando pelas praias de cerveja na mão; gente no jacuzzi, 24 horas por dia, gordos, magros, homens, mulheres, tatuados, limpinhos; demos com um Espanhol e com uma Canadiana a fazerem jogging ao som de Moonspell. Cinco dias, cinco noites numa Babel flutuante, conquistando os mares quinhentos anos depois , como escreveu o André no meu recibo que vou guardar para sempre, como se fosse o diário da viagem nada trágica mas orgulhosamente marítima dos Moonspell.
Se não gostarem olhem só para as fotografias :)
http://www.facebook.com/maxmen.pt
Um abraço
terça-feira, 1 de março de 2011
Ibéria Rocks
Corria o ano e 1988 e eu já me mandava para fora de pé, nos meus quase 14 anos. Tinha descoberto o ano passado as maravilhas do inesperado Metal, depois da iniciação com Maiden, Dio, Ozzy, Metallica, Whitesnake, Slayer. Agitavam os meus sentidos agora bandas como Celtic Frost, Bathory, King Diamond, que tinha conhecido por intermédio de amigos mais velhos e colegas da escola e estas descobertas tinham, em definitivo, mudado a minha vida. Daí ao vento mais underground do Metal Brasileiro, Sarcófago, early Sepultura, Genocídio, entre Europas do Norte, Polónia, Noruega, cassetes com nomes como Unknown Soldiers of Thrash, como bandas como Vader, ou gemas em bruto como Emperor, Old Funeral (que dariam origem aos Immortal), Nihilist, enfim centenas de documentos em cassete que descansam em busca de mais tempo pessoal, para lhes tirar poeiras e revisitar tempos que me marcaram profundamente. É sempre curioso que o pessoal do Underground que me apontam o dedo não tenham sequer vivido um por cento desta formação de uma cena que se tornou gloriosa, polémica mas sempre vibrante. Enfim, outras histórias...
Nesse mesmo ano em Portugal uma banda de Heavy Rock chamada Iberia lançava um single Hollywood, uma canção estupenda que, quanto a mim, rivalizava com os hits Heavy Rock lá de fora. O visual era arrojado, muito Van Halen, num tempo em que a diferença era vista com ânsia e alguma curiosidade, até pela coragem que era vestir algo diferente, ou ter um hairstyle à Americana. Os Iberia também esbarraram no tradicionalismo de um país que nunca aceitou, nem levou a sério o Hard Rock, pelo menos não da maneira justa, que este estilo específico merecia em comparação com a Europa e com os EUA, dos quais na altura estávamos ainda mais longe, quase isolados.
Os Ibéria tiveram uma carreira como que curta mas fulgurante, gerando mais consenso que polémica,e marcando o Rock Português de uma forma muito positiva, com singles radiofónicos e catchy, presença constante e aguerrida nos palcos, imagem, glamour sujo, com um pé no Heavy e outro no Rock. Eis que agora voltam ao nosso convivio, dia décadas depois.
Os regressos levantam sempre uma série de questões, mas no caso dos Ibéria é pacífico afirmar que este desejo é mais interior que conjuntural. É mais um acto de coragem e demonstra, sobretudo através do baixista e alma da banda João Sérgio Reis, como a música é muito mais que um interesse, uma carreira, uma luta desigual, um seguimento da praxe, não se consegue em bandas com originais faz-se de covers. É algo maior que arde dentro destes homens que sempre tiveram uma qualidade que os distingue e, na minha opinião, lhes permite encarar esta reunião com optimismo. Primeiro porque fizeram um disco pleno e afirmativo. Não é pelo facto de eu ou o meu colega Ricardo termos participado no disco que ele se torna importante. Na verdade, nós pouco que conseguimos fazer a diferença na nossa própria banda, quanto mais trazer para a realidade as expectativas de alguém! O facto é que canções como Nitro ou Angel, entre outras, dispensam qualquer efeito e a nossa aceitação deste convite é honesta, por questões de admiração e de amizade, acima de qualquer outra razão. Todos os envolvidos sabem disso.
E neste Sábado subiremos ao placo com as lendas que o ambiente Português ainda consegue deixar criar.
Fica a sugestão e o convite:
Nesse mesmo ano em Portugal uma banda de Heavy Rock chamada Iberia lançava um single Hollywood, uma canção estupenda que, quanto a mim, rivalizava com os hits Heavy Rock lá de fora. O visual era arrojado, muito Van Halen, num tempo em que a diferença era vista com ânsia e alguma curiosidade, até pela coragem que era vestir algo diferente, ou ter um hairstyle à Americana. Os Iberia também esbarraram no tradicionalismo de um país que nunca aceitou, nem levou a sério o Hard Rock, pelo menos não da maneira justa, que este estilo específico merecia em comparação com a Europa e com os EUA, dos quais na altura estávamos ainda mais longe, quase isolados.
Os Ibéria tiveram uma carreira como que curta mas fulgurante, gerando mais consenso que polémica,e marcando o Rock Português de uma forma muito positiva, com singles radiofónicos e catchy, presença constante e aguerrida nos palcos, imagem, glamour sujo, com um pé no Heavy e outro no Rock. Eis que agora voltam ao nosso convivio, dia décadas depois.
Os regressos levantam sempre uma série de questões, mas no caso dos Ibéria é pacífico afirmar que este desejo é mais interior que conjuntural. É mais um acto de coragem e demonstra, sobretudo através do baixista e alma da banda João Sérgio Reis, como a música é muito mais que um interesse, uma carreira, uma luta desigual, um seguimento da praxe, não se consegue em bandas com originais faz-se de covers. É algo maior que arde dentro destes homens que sempre tiveram uma qualidade que os distingue e, na minha opinião, lhes permite encarar esta reunião com optimismo. Primeiro porque fizeram um disco pleno e afirmativo. Não é pelo facto de eu ou o meu colega Ricardo termos participado no disco que ele se torna importante. Na verdade, nós pouco que conseguimos fazer a diferença na nossa própria banda, quanto mais trazer para a realidade as expectativas de alguém! O facto é que canções como Nitro ou Angel, entre outras, dispensam qualquer efeito e a nossa aceitação deste convite é honesta, por questões de admiração e de amizade, acima de qualquer outra razão. Todos os envolvidos sabem disso.
E neste Sábado subiremos ao placo com as lendas que o ambiente Português ainda consegue deixar criar.
Fica a sugestão e o convite:
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
É já amanhã
Fernando Ribeiro dos Moonspell dá Lição na Reitoria da Universidade de Lisboa
Amanhã, Fernando Ribeiro dá uma Lição, às 18 horas, na Sala de Conferências da Reitoria da Universidade de Lisboa, subordinada ao tema, Filosofia e Rock - como viver no mundo da poesia eléctrica.
O ciclo Cem Lições, inserido nas Comemorações dos 100 Anos da Universidade de Lisboa, está a decorrer desde 24 de Janeiro a 12 de Maio, de segunda a sexta, às 18h. na Sala de Conferências da Reitoria da Universidade de Lisboa. Isabel Alçada, António Costa, António Lobo Antunes, Francisco Pinto Balsemão, António-Pedro Vasconcelos, Elisabete Jacinto, José Mário Branco, Lídia Jorge, Manuel João Vieira, Maria João Seixas, Maria José Morgado, Teresa Patrício Gouveia são alguns dos antigos alunos que regressam às cadeiras da Universidade de Lisboa, para darem 100 Lições.
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Liga de Cavalheiros
Thomas Gabriel Fischer/Warrior é o fundador, alma, voz e espírito dos Celtic Frost e agora dos Tryptikon. Em conjunto com Martin Eric Ain, criou, por mão própria,dentro do Metal, um estilo alternativo, com uma escuridão especial, introduzindo elementos avantgardistas, vozes femininas, arranjos orientais e uma temática forte, guerreira, maldita coadjuvada por uma imagem dark e sepulcral, à qual ajudou a amizade e colaboração com o pintor/escultor H.R.Giger que assinou o artowrk de To Mega Therion. Thomas trabalha actualmente com Giger, como seu assistente. Mas tudo isto já sabiam vocês.
O que talvez escape é que Thomas é um cavalheiro. Uns dos já raros nobres do Metal, com uma humildade, uma consciência, um conhecimento que nos encanta e conversa intacto os nossos mitos, não sobre um Metal God Suiço, mas apenas um homem solar e lunar, forte, conciso, simpático, que sabe quem é mas que não se atrapalha com isso. De mim, muitos dirão, que devia aprender com ele. é verdade e assim o fiz. Porque o Tom também tem os seus detractores, pessoas que não o tentam conhecer e conduzem a enganos terríveis. Eu consigo indentificar-me com isso.
Conheci o Thomas há coisa de cinco anos atrás. Fomos tocar a um festival na Grécia e encontrámo-nos no hotel. Já contei esta história na Loud! mas aqui fica o sublinhar do deslumbramento e adoração, contidos pela simplicidade desarmante do Tom que me fez calar para fazer elogios à minha banda, que nem sequer existiria, não fora a sombra e o legado de homens como o Tom, o Quorthon, o Peter Steele. Todos eles, à sua maneira, cavalheiros e justos no trato.
Quando agora me cruzo com figuras de proa do Metal, vindas do boom do Viking Meta, do Pagan, do folk, acabo-me por me sentir sozinho e snob, porque talvez estivesse mais habituado a uma boa conversa, a emanações inteligentes, a troca com conteúdo, momentos imersos em humanidade, com a piada fácil mas espirituosa, sem os silêncios incomodados de uma conversa sempre em gritos, à volta de qualquer bebida forte, ou de mares de mijo de cerveja, falando de quanto se vende, o que se toca, ou de qualquer coisa fraquinha de conteúdo para não incomodar o avançar das células alcoólicas.
A última conversa de jeito foi mesmo com o Alan dos Primordial e agora vocalista do tributo a Bathory, Twilight of the Gods, que vi ao vivo no 70.000 tons of Metal, para meu gáudio. Ele explicava que na tour Paganfest (com Ensiferium, Finntroll, entre outros) tinham sido convidados para fechar o que se revelou uma armadilha. Da grande adesão do público na Alemanha, eles beneficiaram muito pouco, porque o concerto funcionava assim: entrava toda a gente, via a sua banda preferida e ia-se embora. Os TOG chegavam a tocar para 200 pessoas numa plateia inicial de 2000. Eu, conhecendo a realidade, não pude deixar de perguntar, até pelas ligações criativas e fundadoras de Bathory ao Viking e Folk e Black Metal, se não havia curiosidade em conhecer o legado, mesmo que através de um tributo, sendo este constituido por gente ilustre. Ele foi pragmático e respondeu que não. Porque ninguém conhecia Bathory.
Os jovens fãs Folk que enchem estes concertos vão-se, então, indo embora sem dizer adeus a ninguém, sem socializar, sem beber uma cerveja. Um dono de um clube famoso pelos seus shows Metal na Alemanha, vaticinou: estes miúdos estão a matar o Metal. Este é um post sobre o lado elegante do Metal mas não posso, depois da experiência que foi o cruzeiro, de sublinhar que o Metal tem o outro lado, do companheirismo, da libertação que vivido em comunidade pode dar origem a um saudável convivio, a um estilo de vida, que cavalheiros ou não, fazem parte de todo o processo de fruição do Metal, coisa que, pelos vistos, não extravasa a reacção quase ensaiada do povo às sugestões do palco. Como uma nação de zombies, lideradas por zombies.
É bem verdade que cada um ouve o que quer e como quer, mas para ouvir Metal tem de fazer um compromisso mais alargado que extravasa a música. Podemos preferir o cavalheirismo de uma boa conversa entre criadores ou a folia de uma boa corrida pelo moshpit, mas há algo que nos irá unir no fim, um sentido de participar que tantas bandas, editoras e fãs fez e faz surgir no mundo inteiro. O 70.000 tons of Metal foi uma experiência insólita mas pioneira (aqui darei contas das nossas aventuras mas tarde) que conseguiu a proeza de reunir todos os comportamentos. Houve quem fizesse jacuzzi todo o dia, houve quem fizesse workshops de instrumentos. Houve quem trocasse fluídos, outros nomes de bandas, livros, histórias sobre o seu país.
O trabalho que os TOG de Alan dos Primordial estão a fazer é quase pedagógico e pode eliminar as fronteiras generacionais se ouvido com a atenção devida. Nós sabemos que não são os Bathory que ali estão, mas a experiência é para quem conhece, arrepiante, e para quem desconhece uma descoberta de ouro. Não se pode,de maneira alguma deixar uma forma de indiferença e apatia dominar o Metal, não se pode deixar que as ideias diferentes não tenham cabimento no estilo mais criativo do mundo, não se pode deixar a diversão, tão essencial, ser a única coisa que interessa ao novo Metal com temas da Antiguidade.
Esse temas são fascinantes. Por isso escrever sobre um Rei, sobre uma Saga, sobre uma nação, um povo, um legado tem que ser algo mais que uma pesquisa rápida na net, a observação atenta dos Senhores dos Anéis ou uma leitura bruta sobre a gema dourada do único disco de Viking Metal, digno desse nome, estilo e semântica, que é o Hammerheart dos Bathory.
Estas notas valem o que valem, mas a atenção segue e a vontade de nos defender do que nos é imposto pela via dos números tem de ser semeada, e as sementes são sempre pequenas em tamanho, mas possíveis de florescer, pela potência que encerram, como nos disse Aristoteles acerca das qualidades, séculos atrás.
Bom fim de semana a todos.
Ps: Se quiserem me ajudar a incentivar este blog partilhem-no no Facebook, comentem e dêem a mostrar a quem de interesse.Muito obrigado, long live metal!!!
O que talvez escape é que Thomas é um cavalheiro. Uns dos já raros nobres do Metal, com uma humildade, uma consciência, um conhecimento que nos encanta e conversa intacto os nossos mitos, não sobre um Metal God Suiço, mas apenas um homem solar e lunar, forte, conciso, simpático, que sabe quem é mas que não se atrapalha com isso. De mim, muitos dirão, que devia aprender com ele. é verdade e assim o fiz. Porque o Tom também tem os seus detractores, pessoas que não o tentam conhecer e conduzem a enganos terríveis. Eu consigo indentificar-me com isso.
Conheci o Thomas há coisa de cinco anos atrás. Fomos tocar a um festival na Grécia e encontrámo-nos no hotel. Já contei esta história na Loud! mas aqui fica o sublinhar do deslumbramento e adoração, contidos pela simplicidade desarmante do Tom que me fez calar para fazer elogios à minha banda, que nem sequer existiria, não fora a sombra e o legado de homens como o Tom, o Quorthon, o Peter Steele. Todos eles, à sua maneira, cavalheiros e justos no trato.
Quando agora me cruzo com figuras de proa do Metal, vindas do boom do Viking Meta, do Pagan, do folk, acabo-me por me sentir sozinho e snob, porque talvez estivesse mais habituado a uma boa conversa, a emanações inteligentes, a troca com conteúdo, momentos imersos em humanidade, com a piada fácil mas espirituosa, sem os silêncios incomodados de uma conversa sempre em gritos, à volta de qualquer bebida forte, ou de mares de mijo de cerveja, falando de quanto se vende, o que se toca, ou de qualquer coisa fraquinha de conteúdo para não incomodar o avançar das células alcoólicas.
A última conversa de jeito foi mesmo com o Alan dos Primordial e agora vocalista do tributo a Bathory, Twilight of the Gods, que vi ao vivo no 70.000 tons of Metal, para meu gáudio. Ele explicava que na tour Paganfest (com Ensiferium, Finntroll, entre outros) tinham sido convidados para fechar o que se revelou uma armadilha. Da grande adesão do público na Alemanha, eles beneficiaram muito pouco, porque o concerto funcionava assim: entrava toda a gente, via a sua banda preferida e ia-se embora. Os TOG chegavam a tocar para 200 pessoas numa plateia inicial de 2000. Eu, conhecendo a realidade, não pude deixar de perguntar, até pelas ligações criativas e fundadoras de Bathory ao Viking e Folk e Black Metal, se não havia curiosidade em conhecer o legado, mesmo que através de um tributo, sendo este constituido por gente ilustre. Ele foi pragmático e respondeu que não. Porque ninguém conhecia Bathory.
Os jovens fãs Folk que enchem estes concertos vão-se, então, indo embora sem dizer adeus a ninguém, sem socializar, sem beber uma cerveja. Um dono de um clube famoso pelos seus shows Metal na Alemanha, vaticinou: estes miúdos estão a matar o Metal. Este é um post sobre o lado elegante do Metal mas não posso, depois da experiência que foi o cruzeiro, de sublinhar que o Metal tem o outro lado, do companheirismo, da libertação que vivido em comunidade pode dar origem a um saudável convivio, a um estilo de vida, que cavalheiros ou não, fazem parte de todo o processo de fruição do Metal, coisa que, pelos vistos, não extravasa a reacção quase ensaiada do povo às sugestões do palco. Como uma nação de zombies, lideradas por zombies.
É bem verdade que cada um ouve o que quer e como quer, mas para ouvir Metal tem de fazer um compromisso mais alargado que extravasa a música. Podemos preferir o cavalheirismo de uma boa conversa entre criadores ou a folia de uma boa corrida pelo moshpit, mas há algo que nos irá unir no fim, um sentido de participar que tantas bandas, editoras e fãs fez e faz surgir no mundo inteiro. O 70.000 tons of Metal foi uma experiência insólita mas pioneira (aqui darei contas das nossas aventuras mas tarde) que conseguiu a proeza de reunir todos os comportamentos. Houve quem fizesse jacuzzi todo o dia, houve quem fizesse workshops de instrumentos. Houve quem trocasse fluídos, outros nomes de bandas, livros, histórias sobre o seu país.
O trabalho que os TOG de Alan dos Primordial estão a fazer é quase pedagógico e pode eliminar as fronteiras generacionais se ouvido com a atenção devida. Nós sabemos que não são os Bathory que ali estão, mas a experiência é para quem conhece, arrepiante, e para quem desconhece uma descoberta de ouro. Não se pode,de maneira alguma deixar uma forma de indiferença e apatia dominar o Metal, não se pode deixar que as ideias diferentes não tenham cabimento no estilo mais criativo do mundo, não se pode deixar a diversão, tão essencial, ser a única coisa que interessa ao novo Metal com temas da Antiguidade.
Esse temas são fascinantes. Por isso escrever sobre um Rei, sobre uma Saga, sobre uma nação, um povo, um legado tem que ser algo mais que uma pesquisa rápida na net, a observação atenta dos Senhores dos Anéis ou uma leitura bruta sobre a gema dourada do único disco de Viking Metal, digno desse nome, estilo e semântica, que é o Hammerheart dos Bathory.
Estas notas valem o que valem, mas a atenção segue e a vontade de nos defender do que nos é imposto pela via dos números tem de ser semeada, e as sementes são sempre pequenas em tamanho, mas possíveis de florescer, pela potência que encerram, como nos disse Aristoteles acerca das qualidades, séculos atrás.
Bom fim de semana a todos.
Ps: Se quiserem me ajudar a incentivar este blog partilhem-no no Facebook, comentem e dêem a mostrar a quem de interesse.Muito obrigado, long live metal!!!
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Cutucando o ninho da vespa
O ou a Blitz convidou-me para ser editor online por um dia e podem verificar aqui o resultado nos seguintes links:
http://blitz.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=bz.stories/70658
http://blitz.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=bz.stories/70660
http://blitz.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=bz.stories/70666
A estrutura do artigo virtual contém uma entrevista,a escolha de 3 temas de bandas que me tenham chamado atenção e respeito e três noticias que da mesma forma me despertaram o interesse.
Tenho pelo Blitz, como qualquer Português que goste ou se relacione com a música, uma relação ambígua. Já estivemos de relações cortadas no passado, já fomos capa quase forçada á direcção pelo argumento público, presentemente somos uma banda que conta com o Blitz e vice-versa, daí este convite, e que através do caminho, quanto a mim, positivo da revista e do seu portal vamos aferindo do estado da música nacional, internacional e de quem a discute e segue atentamente ou menos. Nada é perfeito, nem o Bitz mas é um presença a que recorremos inevitavelmente durante estes anos todos, para nos indignarmos ou para respeitarmos e aprendermos conforme a ocasião. O Blitz já foi justo, já foi injusto mas tornou-se quase como uma wikipedia ou um wikileaks ou wikirumours, tornando tudo ainda mais ambíguo.
Quando me fizeram o convite, aceitei e pensei. Podia fazer algo mais estéril, sem me chatear, dando uma no cravo e outra na ferradura, contando as minhas histórias como outras banda o tem feito. Ou podia falar do que me incomodava e, com ou sem glória, mandar e receber chumbo tendo, no entanto, este meio exercício, meio desabafo, meio teste pelo menos me ajudado a mim e a chegar a algumas conclusões importantes.
Ontem, quando regressava da festa de anos de um amigo, pensei nalgumas coisas que, se não se importam gostava de partilhar aqui, num meio próprio, que seja meu e no qual eu esteja inteiramente integrado.
Primeiro fiz uma espécie de postulado para os haters:
1- Os haterz são uma espécie de snipers. Atiradores anónimos que ficam muito mas mesmo muito zangados se evitamos ou nos defendemos das suas balas ou, poir ainda, se disparamos de volta.
2- Encontro-me no meu pleno direito de achar uma merda quem me acha uma merda. (isto inclui miss daisies, kords, jeronimos e nóias outros que hoje recordo mas para a semana já estarão esquecidos)
3- Acho que muita gente dessa na minha posição seria como eles me pintam: arrogante, burro, lamechas, queixinhas. Acho não, sei disso. Na mesma ordem de ideias muitos gostavam de ser como eu. O contrário não se aplica.
4- Com tanta coisa que há para falar (mesmo nestes links) não se falou de muita coisa.
5- Sou um espírito livre. Estou e canto onde quiser. Não tenho de ir vingar as misérias da minha vida e mente para um forum.
Posto isto, devo dizer que foi, pelo menos, um sucesso para mim ver a carapuça enfiar e os haters sairem debaixo das rochas que habitam. Nunca foi minha intenção queixar-me, mais, creio eu, pensar soluções e relatar injustiças mas também experiências que, ingénuo, julgavam que iam agradar e fazer bem à cena musical Portuguesa e ao Metal em particular. Enganei-me e saí da Loud por isso. Exagerei muitas vezes, claro, mas sou claro ao dizer que a vida de um músico em Portugal é profundamente mal-entendida e que a generalidade das pessoas não faz ideia do que é estar num grupo com responsabilidades. A vida é fácil para quem não faz e não aparece.
Tudo isto vindo de pessoas que, a maior parte, fazem o que não gostam toda a vida e acusam os outros de traição a uma causa. Para se fazer o que gosta na vida e na música tem de se fazer o que não se gosta, vezes e vezes sem conta. Em nome de uma fome maior, nem sempre entendida, nem sempre explicável.
Finalmente, acho que devo às pessoas que acompanham de forma positiva a minha carreira, algo mais do que esta guerrilha aos haters. Mas acho que me devia a mim, aos meus colegas, a todos os músicos, à minha familia e à minha mulher, estas palavras, tirando um peso do peito e da cabeça e deixando todos saberem que há quem esteja atento e não se importe de dar combate a quem quer estragar a magia que existe em fazer, ouvir e viver música.
Um abraço a todos!
http://blitz.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=bz.stories/70658
http://blitz.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=bz.stories/70660
http://blitz.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=bz.stories/70666
A estrutura do artigo virtual contém uma entrevista,a escolha de 3 temas de bandas que me tenham chamado atenção e respeito e três noticias que da mesma forma me despertaram o interesse.
Tenho pelo Blitz, como qualquer Português que goste ou se relacione com a música, uma relação ambígua. Já estivemos de relações cortadas no passado, já fomos capa quase forçada á direcção pelo argumento público, presentemente somos uma banda que conta com o Blitz e vice-versa, daí este convite, e que através do caminho, quanto a mim, positivo da revista e do seu portal vamos aferindo do estado da música nacional, internacional e de quem a discute e segue atentamente ou menos. Nada é perfeito, nem o Bitz mas é um presença a que recorremos inevitavelmente durante estes anos todos, para nos indignarmos ou para respeitarmos e aprendermos conforme a ocasião. O Blitz já foi justo, já foi injusto mas tornou-se quase como uma wikipedia ou um wikileaks ou wikirumours, tornando tudo ainda mais ambíguo.
Quando me fizeram o convite, aceitei e pensei. Podia fazer algo mais estéril, sem me chatear, dando uma no cravo e outra na ferradura, contando as minhas histórias como outras banda o tem feito. Ou podia falar do que me incomodava e, com ou sem glória, mandar e receber chumbo tendo, no entanto, este meio exercício, meio desabafo, meio teste pelo menos me ajudado a mim e a chegar a algumas conclusões importantes.
Ontem, quando regressava da festa de anos de um amigo, pensei nalgumas coisas que, se não se importam gostava de partilhar aqui, num meio próprio, que seja meu e no qual eu esteja inteiramente integrado.
Primeiro fiz uma espécie de postulado para os haters:
1- Os haterz são uma espécie de snipers. Atiradores anónimos que ficam muito mas mesmo muito zangados se evitamos ou nos defendemos das suas balas ou, poir ainda, se disparamos de volta.
2- Encontro-me no meu pleno direito de achar uma merda quem me acha uma merda. (isto inclui miss daisies, kords, jeronimos e nóias outros que hoje recordo mas para a semana já estarão esquecidos)
3- Acho que muita gente dessa na minha posição seria como eles me pintam: arrogante, burro, lamechas, queixinhas. Acho não, sei disso. Na mesma ordem de ideias muitos gostavam de ser como eu. O contrário não se aplica.
4- Com tanta coisa que há para falar (mesmo nestes links) não se falou de muita coisa.
5- Sou um espírito livre. Estou e canto onde quiser. Não tenho de ir vingar as misérias da minha vida e mente para um forum.
Posto isto, devo dizer que foi, pelo menos, um sucesso para mim ver a carapuça enfiar e os haters sairem debaixo das rochas que habitam. Nunca foi minha intenção queixar-me, mais, creio eu, pensar soluções e relatar injustiças mas também experiências que, ingénuo, julgavam que iam agradar e fazer bem à cena musical Portuguesa e ao Metal em particular. Enganei-me e saí da Loud por isso. Exagerei muitas vezes, claro, mas sou claro ao dizer que a vida de um músico em Portugal é profundamente mal-entendida e que a generalidade das pessoas não faz ideia do que é estar num grupo com responsabilidades. A vida é fácil para quem não faz e não aparece.
Tudo isto vindo de pessoas que, a maior parte, fazem o que não gostam toda a vida e acusam os outros de traição a uma causa. Para se fazer o que gosta na vida e na música tem de se fazer o que não se gosta, vezes e vezes sem conta. Em nome de uma fome maior, nem sempre entendida, nem sempre explicável.
Finalmente, acho que devo às pessoas que acompanham de forma positiva a minha carreira, algo mais do que esta guerrilha aos haters. Mas acho que me devia a mim, aos meus colegas, a todos os músicos, à minha familia e à minha mulher, estas palavras, tirando um peso do peito e da cabeça e deixando todos saberem que há quem esteja atento e não se importe de dar combate a quem quer estragar a magia que existe em fazer, ouvir e viver música.
Um abraço a todos!
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Entrevista Jornal de Leiria
Caros:
O Spectator está de volta. Não porque faça falta a alguém mas porque, para mim, sinto vontade de partilhar alguma da minha angústia mas também algum do meu positivismo e novidades com pessoa inteligentes e interessadas.
Começo por postar um link para uma entrevista que dei, há coisa de dois meses, ao Jornal de Leiria. Destaco o trabalho deste jornal regional que é incisivo, independente e de qualidade, um exemplo a seguir por muita da Imprensa mais cotada e divulgada, mas nem por isso melhor cumpridora do seu serviço de formar e informar.
Mais tarde vos darei conta do odisseia em pleno mar alto aquando da nossa passagem pelo cruzeiro do Metal, 70.000 of Metal e de como as tradições históricas poderão voltar à temática do Metal, com maturidade e inteligência.
Enjoy your reading,
http://www.jornaldeleiria.pt/portal/index.php/files/index.php?id=5639
O Spectator está de volta. Não porque faça falta a alguém mas porque, para mim, sinto vontade de partilhar alguma da minha angústia mas também algum do meu positivismo e novidades com pessoa inteligentes e interessadas.
Começo por postar um link para uma entrevista que dei, há coisa de dois meses, ao Jornal de Leiria. Destaco o trabalho deste jornal regional que é incisivo, independente e de qualidade, um exemplo a seguir por muita da Imprensa mais cotada e divulgada, mas nem por isso melhor cumpridora do seu serviço de formar e informar.
Mais tarde vos darei conta do odisseia em pleno mar alto aquando da nossa passagem pelo cruzeiro do Metal, 70.000 of Metal e de como as tradições históricas poderão voltar à temática do Metal, com maturidade e inteligência.
Enjoy your reading,
http://www.jornaldeleiria.pt/portal/index.php/files/index.php?id=5639
terça-feira, 18 de maio de 2010
Outra publicação de tristeza
The Last In Line
We're a ship without a storm the cold
without the warm light inside the darkness
that it needs yeah
We're a laugh without a tear
the hope without the fear we are coming home
We're off to the witch
we may never never never come home
but the magic that we'll feel is worth a lifetime
We're all born upon the cross
the throw before the toss
you can release yourself
but the only way is down
We don't come alone we are fire we are stone
we're the hand that writes then quickly moves away
We'll know for the first time
if we're evil or divine
we're the last in line yeah
we're the last in line
Two eyes from the east it's the angel or the beast
and the answer lies between the good and bad
We search for the truth we could die upon
the tooth but the thrill of just the chase is worth the pain
We'll know for the first time if we're evil or divine we're the last in line yeah we're the last in line oh oh oh
Yeah we're off to the witch we may never never never come home but the magic that we'll feel is worth a lifetime
We're all born upon the cross you know we'rethe throw before the toss
You can release yourself but the only way you go is down
We'll know for the first time if we're evil or divine we're the last in line oh oh we're the last in line
See all we shine we're the last in we're the last in we're the last in we're the last in
We're the last in we're the last line oh oh ooh oh
We're the ship without the storm we're the cold inside the warm
We're the last without a tear we're the throw without the meal
We're the last in line we're the last in line
We're the last in line see how we shine we're the last in line
We're a ship without a storm the cold
without the warm light inside the darkness
that it needs yeah
We're a laugh without a tear
the hope without the fear we are coming home
We're off to the witch
we may never never never come home
but the magic that we'll feel is worth a lifetime
We're all born upon the cross
the throw before the toss
you can release yourself
but the only way is down
We don't come alone we are fire we are stone
we're the hand that writes then quickly moves away
We'll know for the first time
if we're evil or divine
we're the last in line yeah
we're the last in line
Two eyes from the east it's the angel or the beast
and the answer lies between the good and bad
We search for the truth we could die upon
the tooth but the thrill of just the chase is worth the pain
We'll know for the first time if we're evil or divine we're the last in line yeah we're the last in line oh oh oh
Yeah we're off to the witch we may never never never come home but the magic that we'll feel is worth a lifetime
We're all born upon the cross you know we'rethe throw before the toss
You can release yourself but the only way you go is down
We'll know for the first time if we're evil or divine we're the last in line oh oh we're the last in line
See all we shine we're the last in we're the last in we're the last in we're the last in
We're the last in we're the last line oh oh ooh oh
We're the ship without the storm we're the cold inside the warm
We're the last without a tear we're the throw without the meal
We're the last in line we're the last in line
We're the last in line see how we shine we're the last in line
quarta-feira, 21 de abril de 2010
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Peter Steele RIP
http://www.youtube.com/watch?v=Ew9Rb1BrMAU
First Quorthon. Now Pete."beware the wolves at night, beware the lunar light" We are in the studio working in new songs honouring your memory and your teachings. My idols are oficially extinct.
Primeiro Quorthon. Agora o Pete.
Os meus ídolos estão oficialmente extintos.
First Quorthon. Now Pete."beware the wolves at night, beware the lunar light" We are in the studio working in new songs honouring your memory and your teachings. My idols are oficially extinct.
Primeiro Quorthon. Agora o Pete.
Os meus ídolos estão oficialmente extintos.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Novos rumos
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Para os leitores atentos da Loud, tem vindo a verificar que a última série de artigos, tem como denominador comum as novas formas de comunicar o Metal e qual o grau de crescimento que essas novas formas inspiram às bandas e aos segudidores de cada época.
Falou-se do guita hero que deu um boost estrondoso à carreira dos Metallica, muito mais que os discos de estúdio.
Falou-se da filmografia Metal, em particular do biopic da banda Anvil, que viu o seu nome de novo falado e cobiçado pela cena Metal internacional.
Neste número abordar-se-á uma nova maneira de marcar espectáculos, em foco estará este cruzeiro Metal que podem descobrir neste link:
http://www.70000tons.com/
Feel free to comment
Um abraço bom fim de semana a todos!
Tip of the week: