terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Flatline

Bem vindos a dois mil e oito! Ou como agora gosto de escrever nos mails e notícias em Inglês, 2000hate, o que, na minha modesta opinião, até era um bom título de metalcore.

Estou outra vez na Dinamarca, gravando. Mas vou passar por cima da publicidade camuflada. Existe gente à espreita dela. Estes dias tem-me permitido fazer muito coisa enquanto a minha parte não chega verdadeiramente. Aquela coisa mágica que ocupará todas as fibras do corpo e e todos os espaços da mente. E enquanto aguardo, vou pensando, observando, lendo. Hoje foi o dia em que meti online, outra vez. Quando digo online não quero referir-me ao ver os mails, o ebay a ver se aparece uma Warfare Noise em vinil em conta, pagar continhas, ver os myspace sem fim. Não, quando me meto online mergulho naquela dupla natureza, impossível de domar, contabilizar ou talvez entender perante a vida que passa por nós lá fora ou cá dentro mas que não encontra o seu espaço e tempo em nós. Porque nos absorvemos pela linha/line e dela ficámos prisioneiros.

Li, numa revista, naquelas restropectivas de fim-de-ano que valem o que valem, não é ? (como tudo), que a "cena" agor vai ser estar offline. Não acredito e se assim for só alguns escolhidos se podem dar a esse luxo. Eu, por exemplo, não. Por completo, pelo menos. Mas acho que entendi a mensagem à minha maneira e, acreditem ou não, cá a começo a interiorizar e a viver em pleno com ela.

Lutei aqui muito, e noutros sítios também, por aquilo em que acredito. O resultado foi o que foi mas não deixei de acreditar nas coisas em nome das quais "postei". Hoje fiz uma viagem outra vez permitindo-me aperceber desta coisa imensa que é a net e no que ela trouxe mas também no que nos tirou. A viagem é, de vez em quando, horrível. Mas a tudo nos habituamos. Não nos podemos esquecer que também exercemos horror nos outros. Eu, pelo menos sei que sim, ninguém, na net, hesita em dizê-lo ou fazer a mensagem chegar até mim. É também uma viagem que provoca desgaste. Que traz alguma alegria ou entusiasmo quando licitamos uma cena no ebay que queriamos há anos, ou vemos uma fotografia que nos lembra um tempo que julgávamos perdido com essa imagem, ou quando vemos alguém nascer para a arte e percorrer o caminho, agora a vista de todos.

Mas estar na net é aceitar ou pelo menos ver o que de pior há nos outros também. É inútil dizer o contrário. E isso, acima de tudo, já não magoa mas cansa. Como alguém que num cenário de guerra se habitue aos estropiados. A net é uma guerra perdida porque não existem pactos duradouros e não existe vontade de construir. A nova torre de Babel onde toda a gente fala alto e ninguém se preocupa em ouvir.

Também sei que se me sentisse assim todos os dias, este blog acabaria aqui...













Já aqui levei com pessoas que acham mal a moderação de comentários. Acham mal eu privar-lhes a liberdade de me ofenderem. Tudo bem. Eu cá acho bem. E no meio deste turbilhão todo, só encontro uma solução: tapar o Sol com uma peneira. Fazermos nós próprios a nossa "censura", deixarmos de frequentar sítios que nos apoquentem, dar esse tempo a outras coisas que por vezes esquecemos. Ver o que é em vez de ver que se diz de. Estar, assim, offline. E de ter paz. E de começar em paz. Sinto isso e queria partilhar: o genocídio selectivo (só uma expressão) das coisas online que nos façam mal. Porque elas são armadilhas de pessoas que não são como aquelas sobre quem escrevem e que não lhes perdoam isso. Sim é desabafo mas também é partilha. Todas as dicas são poucas para escapar aos dentes das palavras. E eu só agora começo a aprender, graças a muita meditação, vivência, visitas desagradáveis e sensibilização para o que é realmente importante.

11 comentários:

endovelico disse...

Feliz ano Novo!
Finalmente,apos tanto tempo offline, voltei a ter net(frio e neve com fartura)! O preco que se paga de regressar ao pais de origem, onde o que se la mantem eh muito pouco.

sinceramente, nao percebi a cena do "estar offline"..eu ca nao fico e recuso-me a ficar. 3 semanas e eh um sufoco: 3 semanas sem varios jornais diarios, 3 semanas sem correio electronico(relacionados com trabalho e nao so), amizades que se constroem, etc. Obrigadinho senhores informaticos, por nos terem priveligiado com tamanha oferenda!

Em relacao aos comentarios, censura para a frente! O estamine e teu, se alguem vem para ca com ideias parvas ou palavras que nao necessitam de ser partilhadas, censura!

E bom estar de volta! Bom ano e bom trabalho ai pela Dinamarca(esse pais vizinho!)

Fátima Inácio Gomes disse...

Como é curioso... offline desta linha tenho estado eu, por várias razões que não importa contabilizar, mas agora, que decido cá vir, encontro-te recém-chegado.

Quanto à reflexão... sou a positiva do costume, que procura sempre olhar para a vida nos seus encantos, pois facilmente sucumbo às suas misérias. A rede é, sem dúvida, uma teia perniciosa, essa "torre de Babel" que apontaste. Mas tem aproximado tantos corações que batem em uníssono!
Em última instância, é a fuga extrema à máquina da vida, à rotina que nos impõe, ao convívio forçado com pessoas com quem nos "damos", mas que não amamos, porque não falam a nossa língua.

Sem ela, até, como teria esta conversa franca contigo?

Quanto à moderação... eu sou muito prática nestas coisas: esta é a tua casa. Fazes o que muito bem entenderes. Valorizar, verdadeiramente , a liberdade é isso mesmo: reconhecer a do outro, e não impôr a nossa à viva força!

Angel Alucard disse...

Bem, uma vez mais, aqui pára um fã não só das músicas (maldita publicidade :D), como da poesia deste grande senhor... Poderia ser assim que eu começaria este post, de uma maneira bonita, de uma maneira "doce, por assim dizer, que o levasse a escolher-me como uma das pessoas dignas de ver op seu comentário publicado, contiudo, como já referi em comentários anteriores, não gosto da sensação de ser um "graxista" para que os meus comentários sejam publicados... E se a falta de "graxa" levar a que os meus comentários fiquem perdidos na "censura" de que é falada, então que seja, mas não quero perder-me numa onda de "graxa", lambe-botas, etc..

Entrando agora naquela altura em que se fala da nova"moda" de se estar offline, sim, eu já o experimentei e é realmente muito bom... Com o meu msn ligado, recebi agora uma mensagem de alguém a aquem havia mandado uma mensagem ´há meia-hora atrás... Felizmente, estou no computador de um cyber café, onde não há colunas de som, ou o meu sossego teria sido interrompido, enquanto procuro dentro de mim algo que seja verdadeiramente de valor, para poderescrever aqui...
É verdade, somos infligidores de horror sobre os outros, mas podemos ser os nosso próprios carrascos... Tudo isto por algo tão útil e agradável, que por vezes extravasa os limites e nos leva a uma caminho de destruição, à distância de um simples clique... Seja como for, podemos utilizar todo o mal para criar o bem... Temos é que descobrir como canalizar toda essa energia para tal, toda essa informação, para se atingir esse fim...
Seja como for, aqui fica uma opinião das mais sinceras que consigo dar... Se agradar para ser publicada, claro que ficarei contente e honrado... Caso contrário, a "censura" é por vezes necessária, para se chegar a uma simples conclusão... E tal como foi publicado num post anterior, de se cultivar os momentos de olhos fechados, apenas com a música a pairar no ar, para que a ela nos possamos entregar, talvez o menter-mo-nos offline, seja uma maneira de o conseguirmos fazer...

Anônimo disse...

acho que todos nós temos um dia em que balançamos os prós e os contras de tudo o que fizemos até aqui. E sim, há muita coisa que dói e que se ouve, que é dito com má intenção, que é retornado com imposição, que é difamado com intenção, que é posto em palavras como forma de espelho daquilo que a pessoa é ou melhor pensa que é. Ohhhh, pois é... mas isso, ninguém se livra. Acho que é tempo perdido, por gente perdida, em frases perdidas. Os pseudo e neos, os anti-revivalistas, os anti-sociais, os anti-fama, os anti-tudo que achem o caminho, a rolha da garrafa para estarem caladinhos, a ouvir as notícias do que se passa de verdadeiro no Mundo. E existe um Mundo, tão grande ou tão pequeno em que as pessoas se entrevistam umas às outras, à espera do tal momento Xis, que fica sempre em Y. Ohhhhh se fossemos videntes, não existira euro-milhões que aguentasse eheheeh. Agora regresso a este teu momento de refexão, para te dizer: o raio da professora de Psicologia criou um Sr. Mephisto:).
A vida será sempre tua, e tudo o que os outros revelarem sem razão, vai ser sempre uma realidade infeliz, em comparação com tudo o que tu conseguiste adqurir até hoje. Que fiquem Online ou Offline, não importa. Importa sim tudo o que está aí dentro e que tem de saír cá para fora. Talvez não entenda, ou talvez entenda tudo o que existe além dos olhos e da vista. Tudo o que é palpável, tudo o que é demasiado rotineiro, para pegar e tornar verdadeiro. Mas, A vida é demasiado fugaz para entrarmos em debates de sobrevivências, quando são os próprios sobreviventes a sentirem.se fracos.
Se existem heróis neste dia de ideias.... então, que os deixem ser quem são, e não os asfixiem com ilusões, frustações, obsessões, e rotinas.
mR. fERNando, deixe as suas bagagens tomarem asas e nem precisa de ir de avião e fazer check in directo, para as pessoas saberem o que construiu até hoje.
Ui.... nem a frota da Tap, Iberia, conseguiria levar tanto momento e tanta gente para ver esse filme em Paris... eheehe (cidade elegida ilusoriamente diga-se). Ninguém ouve... todos falam...é que dizem.

Mas, na minha visão, existe sempre alguém que vê e está atento.

Muitos dias de inspiração.

Bárbara.

Karura disse...

eu não acho mal colocares a moderação de comentários. até é bom. ninguém é obrigado ter de "apresentar" criticas destrutivas. podemos lê-las no calor e privacidade do nosso lar mas não acho que sejamos obrigados a ter, de algum modo, "aceita-las" e coloca-las online para que todos vejam... para mim não é o fugir a verdade nem nada do que se lhe diga... a Internet é, por vezes, e infelizmente, usada como arma letal e campo de batalha para magoar, ferir pessoas por razões estupidas... E como tudo na vida, temos de arranjar algo para nos protegermos, não é assim? eu pelo menos penso desta maneira...
mas digo também que uma pessoa nunca deve desistir do seu espaço, independentemente do que possam dizer e fazer e tentar "provar" ao mundo aquilo que realmente somos. e o que somos? criaturas cheias de defeitos como de qualidades. e temos de viver com isso.

beijinhos Fernando!! fico ansiosamente à espera do vosso novo álbum!! =D**

Helena disse...

Confesso que ainda não tinha ouvido falar dessa moda do offline. Especialmente agora, com a revolução protagonizada pelos Radiohead, pensava que o online estava cada vez mais in. Mas tem toda a lógica que algumas pessoas comecem a desligar, após anos e anos constantemente por cá, fruto do desgaste.

Já tenho tempo suficiente na WWW para ter visto muita da podridão de que falas, e lá fui arranjando os meus métodos para não chafurdar no seu meio nem ser muito atingida pelos salpicos dos outros. Mas não vejo a Internet como algo primordialmente mau - ou nem estaria aqui neste momento, que os vícios combatem-se. Passou por mim muita gente nova, e alguma gente que há-de ficar pela vida fora, me parece. Gente que, como disse a Fátima, fala a mesma linguagem que eu e por isso se conseguiu aproximar. Quantos anos convivi com pessoas 'reais' que só remotamente se ligavam a mim... E depois há sempre uma grande vantagem: é que quando a ligação é forte, sai de trás do monitor e passa a ser também real, como as 'antigas'.
Quanto à moderação... Bem, em minha casa também não entra quem quer, só quem eu quero. :-)

Um bom 2008, e votos de um trabalho frutífero aí por terras de Hamlet. Cá vos esperamos.

lakecoventina disse...

Bem-vindo a 2008 voçe também,como preferir 2000hate,contanto que não seja um ano de ódio á nós,prossiga a brincadeira..
Como eu já havia lhe dito antes,não ficaria enraivecida,magoada por deletar algum comentário meu,mesmo porque há muita "peripécias" na minha mente,pelo menos sou vivaz e isso me conforta(já que sou atrapalhada,"cabeça de vento")
Meses atrás voçe deletou um comentário meu em uma das suas fotos,eu fiquei pensando o porque,onde havia errado e é claro cheguei a conclusão que eu tinha sido insensata,vulgarizei, ofensiva a fé alheia,pedi perdão á voçe de imediato.Confesso que até hoje "solto" gargalhadas ao lembrar,mas eu nunca mais cometi o mesmo erro,e "postei" diversos comentários e voçe aprovou.Eu não acho mal ativar a moderação de comentários,eu até me sinto mais segura,essas pessoas má intencionadas criticam essa atitude sua porque querem putrificar esta límpida nascente de água.Qual é? Eu bebo dessa água não estou a fim de me contaminar!
Genocidio selectivo(só uma expressão,das coisas online que nos fazem mal)infelizmente só uma expressão,digo isso porque também estou cansada,no meu caso é com o Myspace e veja sou muito "mente aberta",raramente deletei comentários ou pessoas, me vi obrigada a fazer.Além das visitas desagradáveis,tem aguentar os hackers,esses.. enviam mensagens,deletam pessoas,importante para mim.Já avisei á quem me interessa que eu evitarei passar por lá e dei meu email.Tanto na net quanto pessoalmente,mostrar o ponto de vista sobre qualquer assunto sem agredir é a única forma aceita.Observando,percebo que há muitos blogs interessante,porém a minha covardia prevalece,por essas experiencias negativas!
Fico feliz por voçe ter tido momentos felizes que valem a pena serem lembrados,espero que isso lhe fortaleça cada vez mais e que sirva de estimulo para continuar o seu belo trabalho,pois eu acho que há muito mais admiradores do que odiadores!
Vem cá agora que eu já me fiz de tapete para suavizar seus passos me dá o licor Cherry Heering-Peter Heering,aproveitando a oportunidade por voçe está na Dinamarca...É Brincadeira.Fique bem Boa sorte em tudo!

Anônimo disse...

Feliz por te encontrar disponível e aberto. É desta forma que abres o convite, enquanto que, a passos leves e distantes me venho aproximando e com grande conforto me instalo para te trazer o todo que te falta...

bom ano, bj.

Lord of Erewhon disse...

A disponibilidade para ser crucificado - felizmente - não é eterna. Quando comecei os meus blogs não tinha moderação de comentários, não a achava necessária, até que foram invadidos por insultos, ameaças de espancamento, gaseamento (e outras idiotices hilariantes), por parte de bravos nazis anónimos! A democracia não é delapidação auto-consentida, mesmo considerando que o conceito de democracia não é unívoco. No fundo, trata-se de respeito, mesmo se não concordamos com o outro, mesmo até se não gostamos, invejamos, duvidamos, ou seja lá o que for. O respeito é a norma fundamental de toda a sociabilidade e a mais alta lei de toda a troca intelectual - e o respeito não é só para o outro, é, fundamentalmente, para nós próprios, porque se torna o espelho público do nosso rosto.

Muito ficará sempre por dizer quando se fala de Internet, mas tornou-se uma revolução que persistirá, mesmo que ficássemos calados. Em breve, o fenómeno se tornará auto-regulador, como uma peste que atinge o seu expoente máximo de disseminação. Tudo no mundo é finito, mesmo com as tentações pelo absoluto.
O mais importante é que nenhum de nós esqueça que ainda há um mundo outline.

Aproveita a inspiração do branco glacial, as auroras frias... e não esqueças Portugal.

Abraço, Fernando. Outro para o Mike e «dark kisses» para as meninas... ;)

Lord of Erewhon disse...

P. S. Mais Portugal nos subliminares possíveis; temas intimistas. Revê Black Sabbath e ouve «Warrior On The Edge Of Time» de Wankwind...
- pois, mas a conspirar andamos todos! :)

P. P. S. Um duelo entre o Mike e um saxofone!! - por aí deve haver quem sopre bem! :)=

Gótico disse...

Temos que nos equilibrar. Hoje em dia consumimos através da net, investimos na net, para nós, para a net, para os outros, usamos os outros, roubamos, aprendemos, ensinamos, consumimos cada vez mais, ultrapassamos burocracias graças ao digital e ao electromagnetismo... muitas vezes, sem nos dar-mos conta, estamos a ser consumidos, perdemos o senso, a vergonha e a nossa própria liberdade.